Mulheres atarefadas
Tratam do bacalhau,
Do peru, das rabanadas.
- Não esqueças o colorau,
O azeite e o bolo-rei!
- Está bem, eu sei!
- E as garrafas de vinho?
- Já vão a caminho!
- Oh mãe, estou p’ra ver
Que prendas vou ter.
Que prendas terei?
- Não sei, não sei...
Num qualquer lado,
Esquecido, abandonado,
O Deus-Menino
Murmura baixinho:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
Senta-se a família
À volta da mesa.
Não há sinal da cruz,
Nem oração ou reza.
Tilintam copos e talheres.
Crianças, homens e mulheres
Em eufórico ambiente.
Lá fora tão frio,
Cá dentro tão quente!
Rasgam-se embrulhos,
Admiram-se as prendas,
Aumentam os barulhos
Com mais oferendas.
Amontoam-se sacos e papéis
Sem regras nem leis.
E Cristo Menino
A fazer beicinho:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
O sono está a chegar.
Tantos restos por mesa e chão!
Cada um vai transportar
Bem-estar no coração.
A noite vai terminar
E o Menino, quase a chorar:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
Foi a festa do Meu Natal
E, do princípio ao fim,
Quem se lembrou de Mim?
Não tive tecto nem afecto!
Em tudo, tudo, eu medito
E pergunto no fechar da luz:
Foi este o Natal de Jesus?!!!
João Coelho dos Santos
(in Lágrima do Mar – 1996)
domingo, 20 de dezembro de 2009
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Devaneios
Desilusões deslizam sobre a minha vida como pedras lançadas por alguem, que rasam a água de um lago até se afundarem...Algumas deslizam durante alguns segundos pela água e outras afundam-se, juntando-se às outras que já lá estão, lançadas pela mesma ou por outra pessoa...
Sei que às vezes pareço um pouco derrotista mas esta é a minha forma de lidar com as coisas que acontecem, com aqueles dias mais cinzentos em que não sei porquê surgem os pensamentos e recordações menos bons, aqueles que estavam guardados no fundo da alma.
Sinto-me tão feliz neste tempo sagrado de paz e alegria natalícia! Adoro passear pela rua e ouvir as músicas de natal, mesmo aquelas mais velhas ou mais folclóricas que a maioria das pessoas não gosta. Mas há algo que me deixa cada vez mais triste... Muitas das pessoas estão a deixar escapar o sentido do Natal. Cada vez vejo mais gente que afirma não gostar do Natal ou não sentir nada nesta época. Acho que isso acontece pelo facto de o Natal estar a ficar demasiado comercial... Vê-se gente a comprar presentes a torto e a direito apenas para mostrar quem compra mais ou para tentar "comprar" as outras pessoas e fazer com que elas no ano seguinte lhes ofereçam qualquer coisa. Nem todos são assim, mas que existe ganância no Natal, disso não há dúvidas.
Sintam o verdadeiro espírito do Natal, o Natal é a celebração do nascimento DAquele que nos veio salvar...
Um Bom e verdadeiro Natal! :D
Sei que às vezes pareço um pouco derrotista mas esta é a minha forma de lidar com as coisas que acontecem, com aqueles dias mais cinzentos em que não sei porquê surgem os pensamentos e recordações menos bons, aqueles que estavam guardados no fundo da alma.
Sinto-me tão feliz neste tempo sagrado de paz e alegria natalícia! Adoro passear pela rua e ouvir as músicas de natal, mesmo aquelas mais velhas ou mais folclóricas que a maioria das pessoas não gosta. Mas há algo que me deixa cada vez mais triste... Muitas das pessoas estão a deixar escapar o sentido do Natal. Cada vez vejo mais gente que afirma não gostar do Natal ou não sentir nada nesta época. Acho que isso acontece pelo facto de o Natal estar a ficar demasiado comercial... Vê-se gente a comprar presentes a torto e a direito apenas para mostrar quem compra mais ou para tentar "comprar" as outras pessoas e fazer com que elas no ano seguinte lhes ofereçam qualquer coisa. Nem todos são assim, mas que existe ganância no Natal, disso não há dúvidas.
Sintam o verdadeiro espírito do Natal, o Natal é a celebração do nascimento DAquele que nos veio salvar...
Um Bom e verdadeiro Natal! :D
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Não sei...
Às vezes sinto uma sombra
É a presença de quem não está
Vagueia solitária à minha volta
À espera de um corpo real e sensível
Que a acolha e aconchegue num abraço eterno.
Esta tristeza infindável
De quem espera aquele que tarda
E que talvez não queira chegar
Derruba as flores a tranbordar
De melancolia e de solidão.
É a presença de quem não está
Vagueia solitária à minha volta
À espera de um corpo real e sensível
Que a acolha e aconchegue num abraço eterno.
Esta tristeza infindável
De quem espera aquele que tarda
E que talvez não queira chegar
Derruba as flores a tranbordar
De melancolia e de solidão.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Poemas...
Utilizei estes dois poemas que vou postar num concurso la da escola, provavelmente nao ganho nada, mas não importa, importa sim que os gostei de escrever =D
Beleza Profunda
Às vezes um sonho desponta
Na mente cheia de escuridão
É uma estrela cadente
Que voa enchendo o espaço
De luz e de esperança.
Navega pelos astros celestes
Acendendo a chama fogosa
Do rei poderoso e cintilante
E realçando a palidez
Da serena rainha celestial.
Oh! Bela Dama que repousas
Tão frágil e luminosa no céu
Possuis uma beleza encantada
E olhas com esse olhar profundo
As profundezas do nosso mundo.
Uma Pequena Imensidão
Viajo num sonho secreto
Escondido por entre as estrelas
E espero silenciosamente
A Lua Nova, essa fase negra
De uma dama que vê sem ser vista
O planeta mais belo da família solar,
O lindo planeta azul.
Quando a escuridão se aproximar de mim
Ou eu me aproximar da escuridão,
Irei suavemente enviar-te o meu segredo
Escrito no código de um cometa
Que com o seu corpo gelado se achega
Para junto do ardente Rei Sol.
Após decifrares a sublime mensagem
Que o rasto do solitário viajante desenhou
Tu, que sonhas inocente no teu planeta azul
Irás despertar serenamente e olhar
Para este imenso céu
Que nada mais é do que uma ínfima parte
Do todo que é o colossal Universo.
Beleza Profunda
Às vezes um sonho desponta
Na mente cheia de escuridão
É uma estrela cadente
Que voa enchendo o espaço
De luz e de esperança.
Navega pelos astros celestes
Acendendo a chama fogosa
Do rei poderoso e cintilante
E realçando a palidez
Da serena rainha celestial.
Oh! Bela Dama que repousas
Tão frágil e luminosa no céu
Possuis uma beleza encantada
E olhas com esse olhar profundo
As profundezas do nosso mundo.
Uma Pequena Imensidão
Viajo num sonho secreto
Escondido por entre as estrelas
E espero silenciosamente
A Lua Nova, essa fase negra
De uma dama que vê sem ser vista
O planeta mais belo da família solar,
O lindo planeta azul.
Quando a escuridão se aproximar de mim
Ou eu me aproximar da escuridão,
Irei suavemente enviar-te o meu segredo
Escrito no código de um cometa
Que com o seu corpo gelado se achega
Para junto do ardente Rei Sol.
Após decifrares a sublime mensagem
Que o rasto do solitário viajante desenhou
Tu, que sonhas inocente no teu planeta azul
Irás despertar serenamente e olhar
Para este imenso céu
Que nada mais é do que uma ínfima parte
Do todo que é o colossal Universo.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
No title
Às vezes a vida é dificil...
Passamos por momentos na nossa vida que nos deixam tão desanimados, desiludidos, arrependidos de acreditar e confiar em nós próprios, quanto mais nos outros.
Todos gostam de dizer: "Não ligues ao que os outros pensam ou dizem, o que interessa é o que tu pensas" mas se pensarmos bem, quem é que faz isso? Por mais seguras que as pessoas pareçam de si, ficam com uma pequena semente de dúvida quando são criticadas, semente essa que vai sempre crescendo, silenciosamente. E quando não são nada seguras de si próprias, o efeito das críticas é ainda mais devastador. Essa devastação, na maior parte das vezes, não acontece de repente... começa num pequeno incómodo, que vai aumentando de tamanho cada vez que olhamos para nós, vai escavando um buraco na nossa confiança e na auto-estima...até sobrar apenas um pedacinho, tão frágil que pode não aguentar mais. Isto demora muito tempo, e ainda bem, porque há tempo de vir alguém e salvar-nos. Sim salvar, encher o buraco com uma colher de amizade e confiança. Depois disto, quem pode dizer que não interessa o que os outros pensam? Somos completamente dependentes dos outros. Com a opinião deles sofremos, sem a opinião deles sofremos também...
Passamos por momentos na nossa vida que nos deixam tão desanimados, desiludidos, arrependidos de acreditar e confiar em nós próprios, quanto mais nos outros.
Todos gostam de dizer: "Não ligues ao que os outros pensam ou dizem, o que interessa é o que tu pensas" mas se pensarmos bem, quem é que faz isso? Por mais seguras que as pessoas pareçam de si, ficam com uma pequena semente de dúvida quando são criticadas, semente essa que vai sempre crescendo, silenciosamente. E quando não são nada seguras de si próprias, o efeito das críticas é ainda mais devastador. Essa devastação, na maior parte das vezes, não acontece de repente... começa num pequeno incómodo, que vai aumentando de tamanho cada vez que olhamos para nós, vai escavando um buraco na nossa confiança e na auto-estima...até sobrar apenas um pedacinho, tão frágil que pode não aguentar mais. Isto demora muito tempo, e ainda bem, porque há tempo de vir alguém e salvar-nos. Sim salvar, encher o buraco com uma colher de amizade e confiança. Depois disto, quem pode dizer que não interessa o que os outros pensam? Somos completamente dependentes dos outros. Com a opinião deles sofremos, sem a opinião deles sofremos também...
domingo, 15 de novembro de 2009
Reflexões
Um pequeno passo em frente, para a perfeição.
Perfeição?
Talvez a melodia, que está à distância de uma nota. Ou talvez a espiritualidade, que se encontra na crença de cada um.
Ou então, talvez apenas o ser humano. No exterior, uma máscara. No interior, uma vida pulsante, um espírito cheio de emoções, sem no entanto possuir razões. Uma mente repleta de pensamentos, razoáveis ou não, e memórias, algumas perdidas ou postas à margem. Um coração que bate, que fornece o sangue e a vida a todo o corpo.
E a morte?
A morte termina tudo. É o fim da caminhada. O descanso perpétuo.
Ou então será apenas o início. Não tem necessariamente de ser o fim. Pode ser o começo de uma jornada do espírito. Uma viagem no tempo. Um retorno ao berço de toda a nossa vida, uma análise minuciosa a cada detalhe da anterior existência.
Perfeição?
Talvez a melodia, que está à distância de uma nota. Ou talvez a espiritualidade, que se encontra na crença de cada um.
Ou então, talvez apenas o ser humano. No exterior, uma máscara. No interior, uma vida pulsante, um espírito cheio de emoções, sem no entanto possuir razões. Uma mente repleta de pensamentos, razoáveis ou não, e memórias, algumas perdidas ou postas à margem. Um coração que bate, que fornece o sangue e a vida a todo o corpo.
E a morte?
A morte termina tudo. É o fim da caminhada. O descanso perpétuo.
Ou então será apenas o início. Não tem necessariamente de ser o fim. Pode ser o começo de uma jornada do espírito. Uma viagem no tempo. Um retorno ao berço de toda a nossa vida, uma análise minuciosa a cada detalhe da anterior existência.
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Amor/Ódio
Não entendo esta dor
Que me consome diariamente
Não te amo, não te quero
É o que grita o meu ser
Mas talvez esteja errada
Talvez te ame demais
Mas esse amor acabou
Tornou-se ódio
Por tanto te desprezar.
Que me consome diariamente
Não te amo, não te quero
É o que grita o meu ser
Mas talvez esteja errada
Talvez te ame demais
Mas esse amor acabou
Tornou-se ódio
Por tanto te desprezar.
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