Encontrava-se numa sala com as paredes completamente negras e nessas paredes havia quadros com imagens do genocídio nazi. Imagens terríveis. Num deles, um homem estava a caminho de uma câmara de gás e atrás dele, dois soldados riam-se dele e um deles estava a bater-lhe. Noutro quadro, uma criança dos seus cinco anos estava esfarrapada e muito magra e um soldado estava a dar-lhe um pontapé. Os outros quadros representavam horrores como aqueles ou piores, como as valas para onde atiravam os mortos.
Sofia não percebia porque a tinham levado para ali. A guerra já tinha acabado à muitos anos e hoje em dia os judeus eram livres. Ela tinha muitos amigos judeus, apesar de ela e a sua irmã Luísa serem alemãs. Bem, não eram mesmo alemãs de gema, mas ambos os pais tinham nascido na Alemanha. Mas eles nunca as tinham proibido de serem amigas de judeus, o que não fazia sentido nenhum se proibissem, pois essas ideias eram completamente estúpidas.
Ouviu-se um grito algures fora da sala. Sofia ficou assustada.
A porta abriu-se. Só nesse momento Sofia pôde ver onde estava a porta pois até àquele momento a porta tinha estado camuflada, pois era negra como as paredes. Entraram dois homens loiros, visivelmente alemães. Um deles trazia uma navalha na mão, suja de sangue. Aproximou-se de Sofia com ar ameaçador. Sofia entrou em pânico. O que é que ele lhe ia fazer. Perto dela o homem começou a falar:
- Eu não te faço mal nenhum se colaborares. Precisamos da tua ajuda. Vou-te explicar o que nos queremos e acho bem que não recuses ajudar-nos senão não sais daqui com vida. A tua irmã já foi desta para melhor por isso… Colabora!
Sofia ficou destroçada e começou a chorar e a gritar:
-Assassinos! Estúpidos, seus porcos insensíveis e nojentos. Matem-me também, nunca na vida hei-de ajudar uns brutos como vocês!
O homem da navalha ficou furioso e começou a gritar também:
- Não nos ajudas é? Vê lá agora se não ajudas!
Dito isto, encostou a ponta da navalha ao braço dela e começou a fazer força. Sofia sentia dores tremendas, mas não gritava. Não lhes iria dar essa satisfação. Porém o homem ao ver que ela não cedia, levantou-se e foi à sala ao lado. Regressou com Luísa. Afinal não a tinham matado. Mas ela estava cheia de marcas roxas no pescoço e tinha os olhos vermelhos. O outro homem agarrou nela e o da navalha começou a fazer-lhe o mesmo que tinha feito a Sofia. Mas Luísa já não conseguia resistir e começou a gritar e a implorar que parasse.
- Só paro quando a tua irmã concordar em nos ajudar. Então “querida” vais deixar a tua irmã a sofrer desta maneira?
Sofia não estava disposta a ceder. Mas isso era antes de começarem a magoar a sua irmã.
(continua…)
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
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